O Tela Social permite a criação de sinalizações digitais e interativas com recursos web. A ferramenta livre é elaborada de acordo com a necessidade de cada situação, cliente e evento, e possibilita a interatividade e a inclusão de diferentes formas de atualização.

Márcio Galli, fundador do Tela Social, e o projeto desenvolvido para o Parque Tecnológico Itaipu (PTI)
Na Latinoware, o Tela Social é utilizado desde 2011 para exibir a programação do evento e as últimas novidades. E, para a 10ª edição do evento, o projeto vem ainda mais interativo. Cada terminal contará com 2 TVs, formando uma tela maior. A grade de palestras, em tempo real, será apresentada na tela esquerda, enquanto a tela da direita mostrará elementos sociais e de interação, como o Twitter e o Instagram.
Além disso, a tecnologia será abordada durante a palestra do fundador do projeto, Márcio Galli, no dia 17 de outubro, às 16 horas, no espaço Uruguai. Confira a entrevista completa:
Como será a contribuição do Tela Social para a Latinoware este ano?
A proposta é avançar o uso das redes sociais e ainda criar uma experiência mais interativa para usuários. Estamos lançando o suporte para Instagram – que tem um uso crescente por brasileiros para compartilhar fotos. A experiência das telas também será um pouco diferente, uma vez que cada terminal irá utilizar 2 TVs na vertical, formando uma tela maior. A grade de palestras, em tempo real, será apresentada na tela esquerda, enquanto que a tela da direita apresenta elementos sociais e de interação, como as redes sociais de mensagens e fotos.
Por que escolheu trabalhar com software livre? Como foi o início do desenvolvimento do projeto?
A escolha da licença do código fonte foi resultado da experiência que tive ao trabalhar no projeto Mozilla por vários anos – e, anteriormente, ter sido funcionário da Netscape. O objetivo foi criar um código que pudesse fomentar a contribuição por desenvolvedores e ainda ser um meio para conhecer futuros colaboradores do projeto. Porém, logo surgiram projetos patrocinados por instituições parceiras, que causaram uma evolução do software pelo próprio time do Tela Social. Na minha visão, essas instituições e os indivíduos envolvido, são coautores das modernizações do projeto.
O projeto nasceu entre 2009 e 2010 e o objetivo sempre foi criar oportunidades de comunicação em espaços, com um modelo de publicação de informações que fosse mais participativo. Na versão piloto, lançada em 2010, no ICMC-USP, em São Carlos, nós testamos a ideia de um mural ligado 24 horas por dia, com fontes de dados do site da instituição e que permitia que alunos pudessem trocar mensagens. A ideia sempre foi projetar os valores dos sistemas abertos, como o software livre, até a experiência do usuário, permitindo que nossos ambientes possam revelar informações de forma mais transparente e mais direta.
Os avanços do software livre nos últimos anos permitiram avanços no Tela Social ?
Projetos de software avançam incrivelmente rápido. Mas o avanço é consolidado quando existe uma interface em uso nos ambientes e para as pessoas. É importante que projetos sejam avaliados de forma prática e em cenários reais. O Tela Social busca integrar modernas tecnologias do software livre, mas também quer avaliar se tais tecnologias são relevantes para as pessoas. Eu acredito que este tipo de avaliação permite que avanços tecnológicos possam capacitar as conquistas para as pessoas.
Como foi a implantação do Tela Social no Parque Tecnológico Itaipu?
O projeto no PTI permitiu uma melhor definição dos caminhos para o Tela Social. O caso de uso é uma aplicação prática que é efetiva, pois existe um grupo de comunicação que é excepcional. As telas no PTI oferecem informações da rede Twitter, em que as pessoas falam livremente. Os acontecimentos do Parque aparecem nas telas como notícias em tempo real. É comum um usuário sair de uma palestra e observar o que aconteceu assim que passa pelo corredor. É emocionante ver as telas do PTI sempre atualizadas e, com isso, eu entendo que a tecnologia é simplesmente um ponto de convergência, que reflete a efetividade dos vários grupos envolvidos.
A utilização da ferramenta em eventos, como a própria Latinoware e a Feira Internacional do Livro, em Foz do Iguaçu, exige adaptações?
Hoje a versão de eventos é praticamente uma versão própria. Ela tem a grade da programação em tempo real e isso foi o primeiro recurso relevante, porque gestores de eventos sabem o grave problema que ocorre quando todas as informações foram publicadas, mas, por exemplo, a grade de programação tem que mudar devido a fatores que, muitas vezes, são urgentes. A comunicação das notícias, como avisos e erratas, é reconhecida por aqueles que são os responsáveis e os que colaboram para um evento de qualidade.
Tal versão não exige muitas adaptações, mas o evento precisa ter os dados disponíveis na Web, como, por exemplo, a grade de informações. Hoje, temos uma versão tipo serviço, onde os dados são hospedados para a instituição que faz a gestão do evento. Este é um esforço para simplificar ainda mais o produto e permitir que a experiência possa estar disponível para eventos menores e também para eventos que não possuem uma infraestrutura completa na Web. Tal serviço, o Tela Social Eventos, é mais leve e mais direto – tem somente os recursos mais importantes e ainda preserva os recursos flexíveis de comunicação do sistema.
Quais são os próximos desafios do software livre na comunicação e interação com público?
O grande desafio é saber reconhecer qual é o real desafio que se quer vencer. É muito importante que o ciclo de interação com as pessoas seja efetivado rapidamente. Isso deve ser antecipado no processo de criação de uma solução tecnológica. A tecnologia está sempre se transformando e não é o estado final dela que estamos buscando. Nós devemos buscar a transformação da tecnologia, que deve ser motivada por prioridades atreladas com o uso por usuários.
Com este pensamento, o projeto Tela Social quer estar no meio da comunicação das pessoas, se transformando e se avaliando. Hoje penso que o maior desafio é evoluir a experiência de interação, permitindo que contribuições criativas de indivíduos se tornem oportunidades de interação social e, assim, possam causar melhorias nos ambientes onde vivemos.