
Um caminho para minimizar situações de crises globais – como a destruição do Haiti e o mais recente surto provocado pelo vírus Ebola – pode estar em estratégias de respostas baseadas em software livre e agilidade. O assunto foi tema de uma das palestras da Latinoware 2014, ministrada pela diretora de tecnologia da ThoughtWorks Brasil e pesquisadora associada ao Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (USP), Claudia Melo.
Segundo Claudia, por meio de tecnologia livre – e princípios de métodos ágeis e de design contínuo – podem ser criadas e desenvolvidas soluções com mais rapidez e efetividade para resolver problemas de grande magnitude, responsáveis pela morte de milhares de pessoas, além de separar famílias e colocar as pessoas em situações de extrema vulnerabilidade.
Um exemplo disso é o aplicativo Rapid FTR (rapid family trancing and reunification ou rastreamento e reunificação rápida de famílias). Desenvolvido em código aberto, o app tem como objetivo abastecer um banco de dados central com informações importantes sobre a localização de crianças que se perderam em meio a desastres naturais. Dentre os vários exemplos de uso do RapidFTR estiveram o desastre provocado pelo tufão Hayan, nas Filipinas, e o auxílio aos refugiados da guerra civil ocorrida na República do Congo.
“Por meio de dispositivos móveis simples, a população consegue notificar coisas que estão observando, numa mistura de jornalismo e ativismo social, com informações geoespaciais. Isso ajuda o governo e as entidades a mapearem, em tempo real, como está a situação da crise. No caso do vírus Ebola, por exemplo, esse tipo de tecnologia permite levantar dados como o número de casos (confirmados ou suspeitos), mortes e os principais focos da doença”, afirmou.
A diretora também destacou que esse monitoramento – via software livre – pode ter um papel fundamental para salvar milhares de vidas. “Essas situações são muito severas e colocam as pessoas em situação de vulnerabilidade tanto para o tráfico humano, como o risco de serem abusadas ou morrerem em decorrência de outros motivos, como a fome”, lembrou.
No contexto desses projetos, ela explicou a importância do software livre e da agilidade para que essas ações sejam adaptadas e rapidamente disponibilizadas para a resolução de questões das crises. “Incentivamos que esse tipo de estratégia seja adotada por governos para garantir o bem-estar da população, já que são situações que exigem extrema agilidade”.
De acordo com Melo, toda a comunidade do software livre pode participar ativamente na causa por meio de três maneiras: entrando na comunidade (“ao invés de doar dinheiro, doe suas horas de trabalho e conhecimento”); participando de hackatons (atividades de um ou dois dias em grupo que visam a busca compartilhada pela solução de diversos problemas); ou fazendo parte dos projetos oficiais.