
O Parque Tecnológico Itaipu (PTI) ilustra a capa da próxima edição da LibreOffice Magazine, que foi lançada nesta quarta-feira (15), durante a abertura da Latinoware. A revista traz o artigo “Parque Tecnológico Itaipu – um caso real de luta para a fortificação do LibreOffice”, de autoria do administrador de Banco de Dados, Bruno Rafael de Medeiros Silveira, e do técnico de Informática, Paulo Henrique Ottomar, da Fundação PTI.
O artigo retrata a luta constante, as dificuldades e os caminhos a serem percorridos para o aumento do uso, com qualidade e produtividade, da suíte de escritório de código aberto mais usada no mundo. Os autores também destacam que, ao invés do investimento em licenças para software proprietário, o PTI, desde a sua criação, em 2003, adotou, em suas políticas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), a utilização de software livre.
Nesse contexto, ferramentas livres vêm dominando as áreas de desenvolvimento, infraestrutura e software de base da TIC do PTI. Alguns exemplos de tecnologias livres adotadas são: PHP, Python, Apache, Tomcat, Postfix, Cyrus, Expresso Livre, Bacula, Ovirt, Pentaho Analytics, Samba3, Samba4, Roundcube, PostgreSQL, PostGIS, MariaDB, MySQL, Asterisk, Ubuntu Desktop, Debian, CentOS, Red Hat Enterprise Linux, Red Hat Enterprise Virtualization, Puppet, Zabbix, suíte LibreOffice, entre outras.
No que diz respeito à infraestrutura e desenvolvimento, a utilização de software livre, no PTI, é de mais de 90%. Porém, segundo os autores, “nem tudo são flores”. Apesar da adoção de Linux em mais de 65% das estações de trabalho e do LibreOffice em mais de 80% das estações de trabalho, eles destacam que a resistência dos usuários ainda é grande. “Muitos usuários dizem que não usam pelo fato de ‘não gostarem’ ou ‘eu uso a suíte proprietária em casa’”.
Outro fato evidenciado pelos autores foi que, em 2012, após um treinamento, “muitos usuários se convenceram de que o LibreOffice é tão bom quanto (ou mais) que a suíte proprietária e que o maior ‘problema’ é que ele não se preocupa com a sua aparência, e sim com suas funcionalidades, ao contrário da proprietária, que sabemos que há anos nos usa como ‘testadores de software’ e ainda pagamos para tal”.
Segundo o artigo, um novo treinamento será promovido no início de 2015, com o intuito de aumentar a adesão ao LibreOffice e disseminar como “o software livre pode ser usado da mesma maneira que o proprietário, economizando licenças, mantendo o investimento no conhecimento e em empresas nacionais”.
“Não queremos só usar, queremos contribuir”
O PTI também pretende contribuir com o suporte e desenvolvimento de novas funcionalidades para o LibreOffice, em conjunto com o Centro Latino-americano de Tecnologias Abertas (Celtab). A intenção é ir muito além do uso do software, apoiando o desenvolvimento “de novas funcionalidades que até mesmo a suíte proprietária não possui”.
“Vamos continuar com nossa batalha diária de fortificação do software livre, e contribuir mais com a comunidade (gerando código, conhecimento, emprego), tanto de software livre quanto do território, para que todos entendam que isso não é uma questão de software gratuito, mas sim de uma filosofia que anda lado a lado com o desenvolvimento de competências e negócios, resultando em mais oportunidades de geração de renda e emprego”.