Palestra aborda necessidade de desenvolvimento em software livre para a realidade dos surdos

Aléssio Miranda Junior ministrou, no último dia da Latinoware (18), a palestra “Mundo real da acessibilidade para os surdos. Tecnologias inovadoras em tradução de linguagens gestuais e textuais” e fez exatamente o que propôs o tema: levou os participantes para a realidade do público surdo, apresentando suas principais dificuldades e a visão deturpada que as pessoas, no geral, têm em relação à comunicação com os surdos. “É uma questão linguística, para o surdo, não basta ter a sua disposição o alfabeto, a comunicação é diferenciada e as pessoas precisam ter consciência disso”, explicou.

 

acessibilidade Alessio Miranda 3

“Meu foco era dar um panorama, despertar questionamentos sociais. Existem muitas ideias que ainda não foram desenvolvidas, precisamos de ideias, nos procurem”

De acordo com Miranda, o preconceito é a chave para fazer algo errado: “livrando-se do preconceito é possível utilizar a tecnologia de forma muito eficiente”. O palestrante destacou o fato de não ser fluente na Língua Brasileira de Sinais (Libras). “Qualquer pessoa pode dar a sua contribuição com seu software, não é preciso ter conhecimento aprofundado em Libras, mas faça com um surdo do lado, caso contrário será mais uma aberração tecnológica que você joga no lixo”, enfatizou.

Miranda faz parte de um grupo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que trabalha com tecnologias assistidas: “hoje temos ideias de desenvolvimento com o cadastro das mãos, de acordo com nossos estudos, são 65 posições clássicas que podem ser utilizadas para essa finalidade. Isso deu origem a procurar o sinal pelo sinal e não pelo alfabeto”. De acordo com ele, os softwares disponíveis hoje não atendem a necessidade dos surdos, pois trabalham apenas com a utilização do alfabeto.

O palestrante fez um convite aos programadores: “se você é um bom desenvolvedor em Java, pode contribuir com sua criatividade para encontrar soluções”. Miranda explicou que existe uma linha muito bem aceita que é a produção de desenhos animados para pessoas surdas. “Não precisa ser um designer, é só baixar um avatar e fazer com que o software reproduza para o desenho, com apoio de um intérprete”, disse.

No encerramento da palestra, Miranda exibiu um vídeo de 2007, exibido na Conferência Mundial de Línguas e Sinais. “Meu foco era dar um panorama, despertar questionamentos sociais. Existem muitas ideias que ainda não foram desenvolvidas, precisamos de ideias, nos procurem”, finalizou.

 

 

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