
A tecnologia, principalmente a Internet, trouxe melhorias enormes para a sociedade, porém, ao mesmo tempo, criou um novo terreno para a atuação de criminosos. Da mesma maneira que é preciso proteger os bens físicos, hoje existe a necessidade de proteção para os ativos do conhecimento que, na maioria das vezes, são armazenados em meios digitais.
A transferência desses ativos ao “mundo virtual” está sucetível a crimes digitais. Por isso, ferramentas para investigar e punir quem comete esse tipo de crime são tão necessárias. Durante a Latinoware, a Academia Forense Livre, representada por Gilberto Sudré, apresentou técnicas de investigação de crimes digitais e de perícia forense. “Uma ideia equivocada, e que ainda é muito comum, é que a legislação hoje disponível não pode ser aplicada a crimes digitais. Nem sempre”, disse Sudré.
Diversas leis podem ser aplicadas ao mundo digital, como é o caso da Lei 12.737/2012, ou “Lei Carolina Dieckmann”, que se enquadra em crimes como ameaça, violação de direitos autorais, obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização, entre outros.
A dificuldade que existe em apresentar um crime digital é que, no mundo virtual, as evidências são muito mais voláteis e relativas, o que torna bastante complexa a ação de reunir provas. Por isso, a Perícia Computacional Forense, aplicada à Tecnologia da Informação, é tão necessária. Trata-se de uma ciência que visa a proteção, investigação e recuperação das evidências digitais.
As etapas de uma perícia digital são processos de coleta, exame, análise e resultados obtidos. Deve ser feita por um profissional capacitado para reunir provas que respondam a perguntas relacionadas ao suposto crime, como, por exemplo: quem cometeu e por quê? O que e onde foi realizado? Quando e como? “As técnicas de análise e investigação evoluem a cada dia, mas a sofisticação dos crimes também”, falou Sudré.
Gilberto finaliza a palestra dando uma dica para quem deseja entrar nessa área: “Quando eu comecei, já tinha o conhecimento técnico, então fui atrás de um advogado para me especializar em laudos. Essa é uma dica para começar”, disse.