Centro Latino-Americano de Tecnologias Abertas será apresentado na Latinoware

O Centro Latino-Americano de Tecnologias Abertas (Celtab) foi criado com a proposta de ser um centro de pesquisa e de desenvolvimento de soluções inovadoras que utilizem exclusivamente tecnologias livres. Eles atendem as demandas por tecnologia da Itaipu, do Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e da região da Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai). Posteriormente, as soluções desenvolvidas no Centro serão compartilhadas com os demais países da América Latina. Na Latinoware, o Centro será apresentado na palestra “O que é o Celtab, quem somos nós e o que fazemos?”. Sobre isso conversamos com o pesquisador Arthur Ferreira e com o consultor David Jourdain.

 

O que é o Celtab?
David Jourdain:  O Centro Latino Americano de Tecnologias Abertas é resultado de um convênio entre a Itaipu Binacional e o PTI, que nasceu como uma unidade de pesquisa aplicada dentro do PTI. Eu estou aqui como consultor externo, para colaborar com a construção do Celtab, que tem como objetivo, em poucas palavras, executar pesquisas com resultados.

 

Como isso funciona na prática?
David: É muito comum que empresas, fundações ou instituições de governo tenham problemas de ordem computacional. Seja pela ausência de um software, ou pela incapacidade de um software atender integralmente suas necessidades, mas essa situação existe. Em muitos desses casos não existe um software para atendê-los.

Um núcleo de pesquisa aplicada tem o papel primordial de desenvolver a pesquisa, que elabore as respostas para esses problemas, mas além dessas respostas, que desenvolvam as soluções para por em prática essas respostas. E o Celtab tem esse papel, ele é um núcleo de pesquisa aplicada.

Arthur Ferreira: Se olhar na prática, a maior ideia do Celtab é conseguir desmitificar a computação para a região como um todo. O Celtab, para quem é pesquisador, é a melhor forma de quem gosta de computação de verdade, retornar para a sociedade tudo aquilo que ele aprendeu.

 

Um dos questionamentos na palestra é “quem somos nós”. Como definem isso?
David: Eu costumo dizer que a principal engrenagem do Celtab são os pesquisadores. São eles que fazem as coisas acontecerem. Eu levo o problema, discuto com eles as possíveis saídas e  invariavelmente sempre sai uma solução. Eu tenho muito orgulho de fazer parte desse grupo, pois estou do lado de pessoas muito mais competentes do que eu poderia imaginar.

Arthur: O Celtab foi a primeira oportunidade que eu tive de fazer o que eu já fazia, só que num local que foi feito para isso. Foi o primeiro lugar que eu pensei que poderia continuar fazendo aquilo que eu já gostava de fazer, buscar solução para qualquer coisa no computador, só que com muito mais resultados.

 

Arthur, a relação com o software livre foi fácil?
Arthur: Tendo contato com software livre, nós conseguimos ver todos as possíveis aplicações de qualquer coisa que envolva computação no mundo, literalmente. Depois do nivelamento que o David nos deu, muitas coisas que antes nós pensávamos que era mágica, ou impossível, se tornou fácil de mexer e fazer. Tudo tem um grau de complexidade alto, mas depois de passar pelo Celtab, nada é tão difícil. Aqui cada um pode expor suas ideias ou suas próprias soluções a respeito de qualquer projeto, e por isso que tudo o que propõem para nós tem uma solução rápida.

 

O Celtab tem apenas um ano. No que o centro já contribuiu?
David: Com apenas um ano de existência, o centro tem palestras aprovadas em grandes eventos mundiais, como por exemplo o Fórum Internacional de Software Livre, que acontece todo ano em Porto Alegre, o principal evento de energias renováveis e compartilhamento de tecnologias livres que é o We Athens 2014, na Grécia, um dos eventos mais concorridos do planeta na área. Fomos convidados pela universidade de Universidade Rice, nos EUA, para participar conjuntamente com eles num projeto chamado Super Wi-Fi. Fomos convidados pelo laboratório de energias renováveis que trabalha com tecnologias livres de Toulouse, na França, para apresentar o Celtab lá, e para que essa apresentação resulte em um convênio para a execução de pesquisas conjuntas.

Estamos com 17 pesquisas, temos 21 artigos submetidos em português, 13 artigos em espanhol, 4 artigos extras que foram submetidos em inglês para eventos internacionais – um deles que é o aprovado na Grécia,  temos um artigo submetido em um evento na Flórida para o ano que vem, temos pesquisadores sendo convidados para fazer parte de pesquisas de softwares muito importantes e por aí vai o Celtab…

Tem uma coisa que a gente não deixa de lado e nunca esquece, todos os pesquisadores sabem disso. O DNA do Celtab, está intimamente envolvido com a história do Parque Tecnológico Itaipu (PTI). Porque a história de um Parque Tecnológico, seja ele onde estiver, é formar mão de obra qualificada e desenvolver projetos que sejam aplicáveis a sociedade. O Celtab está colocando isso em prática, então é claro, a história do Celtab e dos pesquisadores está diretamente associada a missão do PTI.

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